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 Censura requi(e)ntada

 O glosado mas preocupante caso ocorrido a pretexto do Carnaval de Torres Vedras espoletou – com fundado vigor – a questão da eventual sobrevivência da censura até o novel Século XXI. Para os que parecem estar a descobrir perigosamente inusitado fascínio em torno dessa figura (vulgo, Salazar) que terá sido o único déspota a vencer uma eleição depois de morto num regime democrático (vide caso d’”O Melhor Português de Sempre”) – a merecer até ulteriores honras de uma série sobre a sua alegada vida amorosa -  importará contextualizar o que será isso de CENSURA, sob pena de alguém confundi-la com uma qualquer variante da gripe.

No essencial, faz-se notar que a censura em Portugal foi um dos elementos vincadamente condicionantes da cultura nacional, ao longo de quase toda a sua história. Desde cedo o país foi sujeito a leis que limitavam a liberdade de expressão. Primeiro, em resultado da influência da Igreja Católica, desde o tempo de D. Fernando, que terá oficiado ao Papa Gregório XI para que instituísse a Censura episcopal (ou censura do Ordinário da Diocese). O poder civil passou, mais tarde, a regulamentar também a publicação de textos escritos. Na memória dos portugueses está ainda presente a política do regime do Estado Novo que institucionalizou um estrito controlo dos meios de comunicação, recorrendo, para este efeito, à censura prévia dos jornais e à apreensão sistemática de livros. De facto, cada regime político teve sempre o cuidado de legislar em relação à liberdade de imprensa - na maior parte dos casos, restringindo-a.

Em cinco séculos de história da imprensa portuguesa, atente-se, quatro (!) foram dominados pela censura. No entanto, a censura entrou também em outros domínios, como no teatro (desde Gil Vicente), na rádio, na televisão e no cinema.
Ao longo da história portuguesa foram muitas as formas de perseguição a intelectuais: a prisão e a morte foram também frequentemente os castigos de quem ousava expressar aquilo que pensava, contrariando o discurso oficial do Estado.

Resumidamente, a Censura consistirá em negar determinada informação dirigida ao povo, reprimindo actos de manifestação, tentativas de “acabar” com o estado e pondo em causa a ideologia do estado; por isso, tudo o que era publicado, era previamente inspeccionado pela censura portuguesa. As informações eram examinadas da seguinte maneira:  

¾     Aprovado”: a informação não continha elementos que poderiam por em causa o estado.

¾   Aprovado mas com cortes”: a informação era editada, mas de uma maneira chocante. Cortavam-se as palavras ou frases acusativas e alguns assuntos ficavam sem esclarecimento. Eram publicadas ainda com as marcas dos cortes nas impressões, chegando por vezes a aparecer uma palavra como frase, isto confundia o povo.

¾     Não aprovado”: a informação não era publicada, porque continha informação que poderia pôr em causa o Estado (tais como criticar a sua funcionalidade) sendo impossível publicar o que quer que seja.

Actualmente, experimentamos novos e refinados expedientes de censura. Cada vez mais, os detentores de cargos públicos aperfeiçoam as suas estratégias de “depuração”. Há quem defenda a liberdade de expressão, traduzida numa vigilância crítica sistemática, quando está na oposição como logo de seguida a interprete como uma manifestação de má índole, própria de gente mal formada, quando passa para o Poder.

Há uns tempos, alguém me dizia: ”você escreveu uma carta ao Pai Natal que arrumou com os outros. Mas desde então já não é a mesma pessoa. Mas não é você não tem culpa. Culpa tem que aceita publicar os seus artigos…” (SIC)

O meu orgulho é ter percebido, há muito, que foram “eles”, de modo ostensivamente irrefragável, a mudar. Há quem saiba tomar o Poder. Mas são muitos os que (já) se deixa(ra)m apanhar por ele.

Não há pachorra para estes nescios recadistas!

José Manuel Alho

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Apelo a Santo António

por alho_politicamente_incorreto, em 18.02.09

 

Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro
 
 
Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso
 
 
Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS
 
 
Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP
 
 
Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas
 
 
Para ficar tudo limpo
E purificar bem a cousa
Arranja um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa
 
 
Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes
 
 
Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está a preceito
Não te esqueças do Louçã
 
 
 
Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes
 
 
Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal
(Popular)

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TEMOS UM CHIP PARA O SEU CACHAÇO

Depois dos animais irracionais, chegou a nossa vez. Sim. O “chip” também é para nós, “tugas” com carro. Parece que as 'operações stop' vão mudar radicalmente. Dentro em breve, quando as forças policiais mandarem parar um carro na estrada já poderão saber se o seguro e a inspecção estão em falta.
Depois da Via Verde, Portugal quer ser pioneiro nas matrículas electrónicas. O ousado "chip", que será OBRIGATÓRIO, comportará informação sobre o seguro automóvel e a inspecção periódica. Aliás, juntamente com a matrícula tradicional, será parte integrante da identificação de todos os veículos acima de 50 cm3.
Com um CUSTO de dez euros, suportado pelo proprietário - o tal “tuga”… - este já denominado Dispositivo Electrónico de Matrícula (DEM) servirá também para a COBRANÇA DE PORTAGENS. Os automóveis que tiverem Via Verde não precisam do novo identificador. Está pois lançado o Sistema de Identificação Electrónica de Veículos. Que nome lindo! Somos mesmo bons.
A atestar esta insuperável capacidade empreendedora, o governo já promoveu o impacto ambiental do DEM, enfatizando a “possibilidade de sobre este dispositivo se desenvolverem serviços como a COBRANÇA electrónica de portagens vai também ao encontro de objectivos de protecção ambiental e de poupança de combustíveis, uma vez que a redução das paragens para o PAGAMENTO de portagens reduz o consumo de combustíveis e a consequente emissão de gases de escape.” Os gases sempre foram maus para o Ambiente. Bem pensado.
Contudo, há quem lhe chame um "big brother" para as estradas. Dizem os criadores que o objectivo é o aumento da segurança rodoviária, pelo acréscimo de FISCALIZAÇÃO. A questão é se a partir de agora se irão fiscalizar veículos ou pessoas ao ponto de medir velocidades ou localizar, a qualquer momento, determinado automóvel. Será que o sistema salvaguarda o direito à privacidade de proprietários e utilizadores e que não coloca questões delicadas ao nível do tratamento dos dados pessoais?
"A tecnologia por si só não DEVASSA a PRIVACIDADE das pessoas. Isso só é possível perante um DÉFICE DE REGULAÇÃO, o que no caso presente está fora de questão.” – afiançaram, apressados, os governantes
Concomitantemente, está desde já potenciado um "cluster" na área da telemática rodoviária que criará uma oportunidade de negócio para empresas de novas tecnologias avaliada em €150 MILHÕES. Mas antes disso, tudo será regulado por uma empresa… PÚBLICA. Nós por cá, sabemos como o poder central poder ser inovador em matéria de RECEITAS.
Por seu turno, o presidente da Comissão Nacional de Protecção de Dados, Luís Silveira, veio alertar para o imperativo de “garantir que o sistema electrónico não é permeável a terceiros”, acrescentando: “se o sistema permitir a localização de um automóvel em qualquer ponto do território é "EXCESSIVO". A CNPD salienta ainda no seu parecer que é necessário “o controlo rigoroso das entidades que têm acesso aos dados.”
Complementarmente, o Bastonário da Ordem do Advogados, Marinho Pinto, socorreu-se da História ao lembrar que "Há coisas que começaram com a melhor das intenções e revelaram-se um desastre para a Humanidade.” (SIC)
No meio desta desnecessária modernice, e consoante o prisma de análise adoptado por cada um, este projecto resumir-se-á a um de dois posicionamentos: os receios dos velhos do Restelo, consumidos por teorias da conspiração ou à aceitação de quem interpreta toda e qualquer mudança à luz da tradição empreendedora inscrita no nosso ADN, com mais de oitocentos anos de história.
Por mim, temo a escalada securitária e controleira que possa estar a afectar os nossos políticos. Por este andar, até se extinguirão as vagas nas caixas dos hipermercados. Bastará um “chip” na orelha ou no cachaço e as compras serão imediatamente cobradas. Mas e o resto? Não estaremos a abrir caminho para nos transformarem em autómatos de pele e osso, sempre contactáveis e desnudados de identidade em nome de “superiores interesses” que ninguém conhecerá ao certo?
José Manuel Alho

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Mais uma ideia GENIAL da Confap!

por alho_politicamente_incorreto, em 09.02.09

E agora vem aí o alargamento da escola no 1.º ciclo das 7h30 às 19h...

Leiam o que o Sr. Albino - o tal que ameaça ser presidente da Confap até ser avô... - apregoa como mais uma conquista, já com luz verde do ME:

"Na prática, o que a Confap propõe é que, entre as 7h30 e as 9h da manhã, as escolas ocupem as crianças com actividades lúdicas."

(...)

"No período de férias lectivas, as escolas deverão igualmente assegurar actividades para as crianças. "

(...)

"Haverá um júri responsável e as propostas podem incluir canto coral ou folclore, visitas a museus, visionamento de filmes...", especificou o presidente da Confap, para quem se trata, aliás, de assegurar a sobrevivência da escola pública: "Esta coisa de despejar a matéria e depois esperar que, em casa, os pais tenham literacia suficiente e computadores para ajudar os filhos a perceber as matérias tem que acabar, porque o mundo mudou e as escolas têm que se adaptar."

 

Professor anónimo dixit:

 

»Então tomem lá e embrulhem!

Se pensavam que os pais, os avós e o resto da familia eram os principais agentes educativos na vida das crianças... desenganem-se!

Não tarda temos a escola aberta aos sábados e domingos porque há pais e mães que também trabalham ao fim de semana e para não falar nos que trabalham por turnos... também daria jeito umas camaratas ...

Já agora e porque não pensar na ideia da escola-internato, tipo entra com 4 meses e sai quando estiver apto a trabalhar e viver autonomamente? Os "pais" podiam visitá-los durante esse período, claro! Desde que isso não perturbasse os seus afazeres... ou então também podiam acompanhar a evolução das suas crias por video-conferência.

Parece-me que há que debater não a escola, mas os pais! Afinal o que é ser pai e mãe? Que funções? Que afectos?»

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A propósito de professores titulares

por alho_politicamente_incorreto, em 05.02.09

Anedota entre Professores



 

Dois professores titulares, já velhinhos e doentes, mas ainda sem direito à reforma, obrigados por uma Junta Médica a permanecerem na escola, reúnem-se. Devem preparar a avaliação dos seus colegas mais novos, tal como foi instituído por um Governo liderado por um senhor chamado... vocês sabem por quem!

Um deles olha para o outro e diz:

- Por favor, não me leves a mal. Nós somos amigos há tanto tempo e agora não consigo lembrar-me do teu nome, vê só a minha cabeça!... És o António ou o Fernando?
 
O outro olha fixamente para o amigo durante uns dois minutos, coça a testa e diz:
- Precisas dessa informação para quando?

 

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O cartaz que irritou o senhor Ministro Santo(s)

por alho_politicamente_incorreto, em 04.02.09

Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares, quer que a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, esclareça "brevemente" o que pensa da alegada campanha de "ataque pessoal" ao primeiro-ministro lançada pela JSD.

 

 

Mas alguém ainda acredita que faltará explicar?!...

Francamente. Vê-se logo que só bastava um homem

para colocar o cartaz. O outro só segura a escada. 

De resto, só não gostei da gravata.

Não combina com o verde de fundo.

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